Vida
Às vezes tão forte
que nos faz atravessar tempestades inteiras,
vencer ondas que jurávamos ser maiores do que nós.
Outras vezes tão frágil,
tão fina, tão delicada,
que pode se perder no leve sopro
de um instante mal vivido.
Quando o corpo adoece, há sinais.
Máquinas apontam, exames revelam,
médicos correm, mãos tentam segurar o que ainda pulsa.
Há chance, há tempo, há tratamento.
Mas quando a mente adoece,
ela desmorona em silêncio.
Desfaz pilares invisíveis,
apaga cores, rouba sentidos.
É um colapso que não aparece em tela,
um grito que nunca vira som.
Por tanto tempo foi chamada de fraqueza,
drama, frescura, escolha.
Por tanto tempo o enfermo carregou rótulos
que pesavam muito mais do que o próprio sofrimento.
Até que um dia, tarde demais,
a mente derruba o corpo,
e só então perguntam
se talvez fosse uma doença.
Mas às vezes já não há volta,
não há retorno, nem cura, nem remendo.
Fica o tempo perdido,
o sentimento esgotado,
o sentido da vida
caindo pelos dedos como areia fina.
Cigana Ro
Enviado por Cigana Ro em 19/09/2026
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