Sessenta anos chegando… e os sonhos que ainda carrego
Sessenta anos estão chegando. Curiosamente, quando olho para trás, percebo que a maioria dos meus grandes sonhos já foi realizada.
Não me tornei uma mulher rica. Também não construí um império material. Mas aprendi que riqueza não é apenas aquilo que cabe em uma conta bancária. Tenho o suficiente para viver com dignidade, para dormir em paz e para agradecer todos os dias. Se pudesse pedir algo ao futuro, seria apenas uma estabilidade financeira que me permitisse viajar mais, conhecer novos lugares, novas culturas e continuar aprendendo com o mundo.
No amor, vivi intensamente. Conheci grandes paixões, experimentei a felicidade e também atravessei dores profundas. Hoje, não sonho mais com contos de fadas. Se a vida ainda quiser me presentear, que seja com um companheiro para compartilhar as pequenas coisas: um café sem pressa, uma caminhada, uma boa conversa, um pôr do sol. Descobri que a felicidade mora justamente nesses instantes simples.
Sempre tive poucos amigos. Talvez por escolha, talvez pelas circunstâncias da vida. Ainda assim, gostaria de cultivar uma amizade verdadeira. Alguém com quem eu pudesse dividir uma tarde agradável, conversar sobre a vida, rir das lembranças e criar novas memórias.
Meus filhos sempre foram meu maior patrimônio. Não desejo nada além de vê-los felizes, realizados e seguindo seus próprios caminhos. Toda mãe sabe que chega um momento em que o maior gesto de amor é aprender a observar de longe, torcendo para que a vida seja generosa com aqueles que um dia carregamos nos braços.
Quanto à saúde, sei que o tempo cobra seu preço. Algumas limitações fazem parte do envelhecimento, e isso é natural. Só peço a Deus que eu conserve minha autonomia pelo maior tempo possível, sem depender excessivamente de médicos ou de remédios. Quero continuar caminhando com minhas próprias pernas e vivendo cada dia com gratidão.
E, quando chegar a hora da minha partida, meu último pedido também é simples. Peço a Deus que meu desencarne aconteça em paz, sem sofrimento prolongado e sem se transformar em um peso ou um trauma para aqueles que amo. Que minha ausência seja preenchida pelas boas lembranças, pelos sorrisos compartilhados e pelo amor que procurei deixar em cada pessoa que cruzou o meu caminho.
Aos sessenta anos, descubro que meus sonhos já não são feitos de grandes conquistas. Eles são feitos de paz, de simplicidade, de liberdade, de afeto e de tempo. Porque, no fim, são essas as riquezas que realmente permanecem.
Cigana Ro
Enviado por Cigana Ro em 25/07/2026