Aprendizados destes quase 60 anos
Ao longo destes quase sessenta anos, aprendi que a maior riqueza está em ser, e não em ter. Podemos conquistar muitas coisas durante a vida, mas aquilo que somos, os valores que carregamos e o bem que deixamos pelo caminho são o nosso verdadeiro patrimônio.
Aprendi que uma mãe não pode proteger seus filhos de todas as experiências da vida. Mesmo quando sabemos que eles poderão sofrer, existem caminhos que precisam ser percorridos por eles. O máximo que podemos fazer é permanecer por perto, com os braços abertos, para acolhê-los quando precisarem de conforto, segurança e confiança para recomeçar.
Aprendi também que uma mulher, mesmo carregando dentro de si o maior amor do mundo, jamais deve esquecer de amar a si mesma. Amar o outro não deveria significar abandonar a própria essência. O amor-próprio não é egoísmo. É o lugar para onde precisamos saber voltar.
Descobri que a mágoa e o ódio raramente atingem aquele a quem são destinados. Eles machucam, principalmente, quem os cultiva e os carrega consigo. Por isso, pedir perdão ou perdoar é, antes de tudo, um ato de libertação.
E perdoar não significa sofrer de amnésia. Significa apenas decidir que não cobraremos mais aquela dívida emocional. A lembrança pode continuar existindo, o aprendizado também, mas o peso já não precisa seguir conosco.
Aprendi que aceitar ajuda não é se humilhar. É ter humildade para reconhecer que existem momentos em que precisamos de alguém. A roda da vida gira. Hoje somos nós que precisamos de uma mão estendida; amanhã, poderemos ser nós a estender a mão para alguém.
Aprendi que a confiança é como um cristal: depois de quebrada, mesmo que tentemos juntar seus pedaços, dificilmente voltará a ser como antes. Por isso, confiança é algo precioso, que deve ser conquistado, cuidado e respeitado.
Ser honesta também não significa contar tudo a todos. Significa viver de acordo com os próprios valores, mantendo coerência entre aquilo em que acreditamos e a maneira como escolhemos agir.
O dinheiro pode comprar quase tudo. Pode proporcionar conforto, realizar desejos e facilitar muitos caminhos. Mas existem coisas essenciais que ele jamais poderá comprar: paz de espírito, saúde verdadeira, amor sincero e fé.
E aprendi que ter fé não significa estar na igreja todos os dias ou rezar o terço o tempo inteiro. Para mim, ter fé é confiar. É fazer o que está ao nosso alcance e saber esperar. É compreender que nem tudo acontece quando queremos, mas que muitas coisas chegam exatamente quando estamos preparados para recebê-las.
Esperar em Deus não significa ficar parada esperando que tudo aconteça. Significa fazer a minha parte e confiar que Deus fará a Dele, cada coisa em sua proporção e no seu devido tempo.
Aprendi também que chorar não é motivo de vergonha. As lágrimas fazem parte de nós. Às vezes, são a maneira que o corpo e a alma encontram para aliviar aquilo que as palavras já não conseguem explicar. Chorar pode trazer alívio, reduzir a tensão emocional e até contribuir para o equilíbrio do organismo. Há momentos em que uma lágrima diz muito mais do que qualquer discurso.
Talvez este seja um dos maiores aprendizados destes quase sessenta anos: a vida não exige que cheguemos até aqui sabendo todas as respostas.
Ela apenas nos convida a continuar aprendendo.
A amar sem deixar de nos amar.
A ajudar e também aceitar ajuda.
A perdoar sem apagar o aprendizado.
A chorar sem sentir vergonha.
A fazer a nossa parte sem querer controlar tudo.
A confiar, mesmo quando ainda não conseguimos enxergar o caminho inteiro.
E, acima de tudo, a compreender que envelhecer não é apenas somar anos.
É transformar tudo aquilo que vivemos em sabedoria para viver melhor os anos que ainda estão por vir.
Cigana Ro
Enviado por Cigana Ro em 21/07/2026