A sede da alma
Falam do que eu bebo,
mas nunca perguntam da minha sede.
Ninguém percebe
que certos goles
não descem pela garganta…
escorrem direto para as feridas da alma.
É fácil julgar o copo cheio,
difícil é enxergar
o deserto que existe por dentro.
Há secas que não aparecem na pele.
Moram no peito.
Racham os sentimentos,
queimam memórias
e transformam o silêncio
em um eco interminável.
Então a gente bebe…
bebe coragem,
bebe esquecimentos,
bebe ilusões,
na esperança de molhar o coração
com qualquer migalha de afeto.
Porque existem sedes
que água nenhuma cura.
Sede de abraço.
De pertencimento.
De descanso.
De alguém que fique.
De um amor que não vá embora ao amanhecer.
Mas o mundo prefere contar os copos da mesa
do que ouvir o grito silencioso
de quem está morrendo de sede por dentro.
Cigana Ro
Enviado por Cigana Ro em 14/05/2026
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