A sede que ninguém vê
Falam do que eu bebo,
mas nunca perguntam da minha sede.
Julgam o excesso,
sem conhecer o vazio.
Observam os copos sobre a mesa,
mas ignoram as dores escondidas no fundo da alma.
Ninguém imagina quantas vezes
o coração tenta sobreviver
engolindo silêncios,
afogando lembranças,
disfarçando ausências.
Porque, às vezes,
não é sobre o que consumimos…
é sobre aquilo que nos consome.
E toda alma cansada
procura alguma forma de matar a sede:
de amor,
de paz,
de pertencimento,
de colo,
de sentido para continuar.
Há pessoas que bebem água.
Outras bebem sonhos, distrações, vícios, amores impossíveis ou palavras não ditas.
Mas quase ninguém pergunta:
“o que aconteceu para você sentir tanta sede assim?”
Cigana Ro
Enviado por Cigana Ro em 14/05/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.