Estranho Familiar
Estava tão feliz com tua chegada.
Como quem abre as janelas depois de um inverno longo
e acredita que o sol finalmente decidiu ficar.
Fiz planos silenciosos,
daqueles que bordamos na alma antes mesmo de acontecer.
Queria te mostrar os caminhos que descobri,
os pedaços de mim que sobreviveram ao caos,
o novo mundo que aprendi a habitar depois de tantas ruínas.
Mas você chegou…
e junto das malas trouxe tempestades escondidas.
Trouxe dúvidas com cheiro de promessa,
histórias mal contadas,
verdades quebradas ao meio,
palavras que mudavam de forma
como fumaça tentando parecer sólida.
Às vezes me ama com exagero,
como quem tenta apagar incêndios com flores.
Depois me despreza
com a mesma facilidade de quem fecha uma porta sem olhar para trás.
E eu, perdida entre teus extremos,
já não sei qual de teus rostos é real.
Olho para você
como se estivesse vendo um estranho pela primeira vez.
Te observo tentando encontrar
aquele homem que imaginei existir…
mas não o reconheço.
Tua inconstância me assusta.
Teu humor atravessado me fere em silêncio.
E esse amor intenso demais,
depois de tantas feridas abertas,
não me traz paz —
me traz dor de cabeça, cansaço, vertigem emocional.
Porque amor não deveria parecer um labirinto
onde a cada esquina preciso reaprender
quem está diante de mim.
Cigana Ro
Enviado por Cigana Ro em 13/05/2026
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