Confiança é cristal raro.
Transparente, delicado, quase sagrado.
Enquanto inteiro, reflete luz, abriga sonhos
e sustenta o amor com mãos firmes.
Mas quando cai…
não importa o cuidado ao recolher os pedaços,
nem a paciência ao tentar colá-los.
As marcas permanecem.
E o cristal, antes precioso,
carrega para sempre a memória da queda.
O mais doloroso
é que quase nunca deixamos de amar
quem partiu nossa confiança.
Sofremos justamente porque o amor continua vivo,
mesmo caminhando entre cacos.
Então nasce o silêncio desconfiado,
o medo escondido atrás dos sorrisos,
a insegurança que transforma carinho em vigilância
e faz o coração estremecer diante do menor sinal.
Recomeçar é possível.
Mas reconstruir confiança
é como tentar ensinar um cristal quebrado
a não temer novas quedas.
Exige verdade nua.
Mudança real.
Paciência para tocar feridas sem abri-las outra vez.
E coragem dos dois lados
para enfrentar as rachaduras sem fingir que elas não existem.
Porque depois da quebra,
a confiança já não possui a mesma solidez.
Torna-se frágil como vidro ao vento,
bonita por fora…
mas consciente de que um único descuido
pode fazê-la despedaçar novamente.
Cigana Ro
Enviado por Cigana Ro em 09/05/2026
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