Máscaras
Às vezes, as máscaras não escondem monstros.
Escondem lágrimas.
São feitas de sorrisos ensaiados, de silêncios engolidos, de forças inventadas às pressas para sobreviver aos dias difíceis.
Cada pessoa carrega alguma.
Uns vestem arrogância para esconder insegurança.
Outros usam frieza para não revelar o quanto ainda sangram por dentro.
Há também quem se cubra de alegria apenas para não deixar que o mundo perceba o cansaço da alma.
Com o tempo, a máscara se mistura à pele.
E o indivíduo já não sabe mais onde termina o personagem…
e onde começa seu verdadeiro eu.
Talvez por isso existam olhares tão vazios em rostos aparentemente felizes.
Talvez por isso tanta gente sorria enquanto desaba em silêncio durante a madrugada.
Mas nenhuma máscara suporta eternamente o peso das emoções não vividas.
A alma sempre encontra uma maneira de gritar.
Seja através da ansiedade, do medo, da exaustão, das lágrimas repentinas ou daquela estranha sensação de não pertencer nem a si mesmo.
E então chega o momento mais difícil:
retirar a máscara diante do espelho.
Olhar para as próprias feridas sem fugir.
Abraçar a própria vulnerabilidade sem vergonha.
Porque no fundo…
a máscara nunca representou quem éramos.
Representava apenas quem acreditávamos precisar ser para receber amor.
E talvez a maior cura da vida seja descobrir que nossa face mais bonita nunca esteve na perfeição do personagem…
mas na coragem de sermos inteiros, humanos e verdadeiros.
Cigana Ro
Enviado por Cigana Ro em 07/05/2026
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