Entre marés
Como acreditar
se tuas juras ainda têm o eco
de outro nome?
Palavras não esquecem
o corpo que já aqueceram…
e as tuas ainda trazem vestígios
de um ontem que não fui eu.
E, no entanto,
como negar o que pulsa
quando teus olhos me encontram
como se o mundo inteiro
coube, um dia, em nós?
Tu atravessaste o oceano…
mas eu ainda atravesso dúvidas.
Porque o amor que chega
não desfaz o que ficou —
e há feridas
que não sangram por fora,
mas respiram
em cada silêncio.
Sou mar revolto:
metade entrega,
metade recuo.
Quero acreditar…
mas a dor
ainda sabe teu nome.
Cigana Ro
Enviado por Cigana Ro em 01/05/2026
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