Quando o amor perde os gestos*
Quando vivemos uma história de amor,
palavras doces nascem sozinhas:
um “amor”, um “xêro”,
um cuidado que se entrega sem pensar.
É assim que dizemos ao outro
o quanto ele ilumina nossos dias
e o quanto importa o seu bem-estar.
Mas quando esses detalhes silenciam,
quando os gestos se apagam devagar,
é sinal de que algo mudou por dentro.
Talvez um dos lados já não sinta mais.
E então o outro precisa aceitar:
não insistir,
não mendigar um “te amo”,
não ferir o próprio coração
acreditando que perdeu o que doou.
Porque amar é oferecer sem medida,
é dar o que nasce puro no peito.
Se o amor volta para nós,
torna-se forte, concreto, bonito.
Se não volta,
ainda assim permanece belo —
um sonho delicado
que não perdeu sua essência.
E assim entendemos
a beleza do amor que a ti foi entregue:
amor sincero,
sem cobrança,
sem exigência,
apenas a verdade de quem sente profundo.
Mesmo sem ser correspondido,
ele continua lindo
pela honestidade com que foi dado.
Se você ama,
deixe que o outro saiba.
Mas, se não houver retorno,
não alimente esperanças por vaidade:
não permita que o brilho desse amor
se apague por ilusão.
Amor verdadeiro,
quando nasce espontâneo,
já é milagre suficiente.
Cigana Ro
20.11.25
Cigana Ro
Enviado por Cigana Ro em 20/11/2025
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