Moral da História
Outro dia, numa conversa, ouvi alguém dizer:
— Não me imagino morando fora do meu país. Longe da minha terra, do meu povo.
O entrevistador o olhou com curiosidade e perguntou:
— E onde você mora hoje?
O rapaz hesitou. Coçou a cabeça, respirou fundo e respondeu, meio envergonhado:
— Numa kitnet caindo aos pedaços, no fundo do quintal de alguém.
— E você come bem? — continuou o entrevistador. — Tem conforto? Qualidade de vida nesse cantinho?
O jovem deu um leve sorriso cansado.
— Nem sempre tenho o que comer — disse. — O frio entra pelos buracos da parede, e faz tempo que não sei o que é conforto. Trabalho muito, mesmo sendo aposentado, só pra conseguir fechar o mês.
O entrevistador ficou em silêncio por alguns segundos, depois perguntou:
— Mas você está no seu país. Na sua terra. E o seu povo... não ajuda?
O homem ergueu os olhos, tristes, mas firmes:
— Não.
Então o entrevistador se voltou para outro jovem que aguardava sua vez.
— E você? — perguntou. — Onde vive?
— Longe — respondeu o rapaz, com um sorriso que misturava saudade e orgulho. — Um dia juntei coragem, alguns trocados e fui tentar a sorte fora do meu país.
— E deu certo? — quis saber o entrevistador.
— Trabalho tanto quanto trabalhava aqui — disse o rapaz. — Mas agora durmo bem, como bem e ainda consigo enviar um pouco de dinheiro pra minha família. Às vezes a saudade aperta, sim. Mas lembro que estou construindo algo melhor. Nunca reneguei minhas origens — apenas entendi que posso correr o mundo sem perder minhas raízes.
Fez uma pausa e completou, com serenidade:
— Quando a gente se arrisca a ir, não perde quem é. Só cresce. E amadurece.
O entrevistador sorriu, pensativo.
Moral da história:
Morar fora do seu país não é abandonar sua terra — é expandir suas fronteiras.
Cigana Ro
Enviado por Cigana Ro em 06/11/2025
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