Só
Hoje precisei fazer um exame delicado.
Nada doeu — nem corpo, nem gesto —
só o silêncio que ficou ao meu lado.
Sempre acompanhei os outros,
mas hoje, percebi:
sou eu quem caminha sozinha.
Meus filhos têm seus dias cheios,
suas urgências, seus mundos.
Não quero ser o peso no caminho deles.
Não tenho amigos próximos,
nem um amor pra segurar minha mão.
E quando a idade avança,
a solidão parece crescer junto.
Deus sabe quantas vezes pedi —
não por riqueza, nem fama,
mas por amor.
Por alguém que ficasse,
que dividisse o tempo e o medo.
Talvez minhas preces tenham se perdido,
ou talvez tenham sido atendidas
de um jeito que eu não soube reconhecer.
Talvez a lição da vida
seja aprender a ser inteira
mesmo sem ninguém pra completar.
E ainda assim — apesar da dor quieta,
da cadeira vazia,
e da ausência de um abraço — eu sigo,
porque amar o outro sempre foi minha forma de existir.
Cigana Ro
Enviado por Cigana Ro em 06/11/2025
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