Mar de Mentiras
Havia um jardim, nascido do acaso,
onde a ternura florescia sem pedir nada.
Mas veio o vento dos enganos,
e o sal das palavras não ditas secou o que era flor.
Brincar com sentimentos é acender vela em tempestade —a chama parece dançar,
mas é só o prenúncio do fim.
Mentiras são mares traiçoeiros,
bonitos de longe, mortais quando se entra sem saber nadar.
E quem navega neles, achando-se capitão,
não percebe que a bússola já se partiu.
Nada que nasce sobre falsos alicerces
resiste ao tempo ou ao mar.
A onda vem, leva o castelo, e o silêncio cobre o que um dia foi sonho.
Morreu ali — sem volta — o que poderia ter sido belo.
Não por falta de amor, mas por excesso de jogo.
E no fim, resta apenas o eco de um nome que o vento leva, como quem leva também
a última chance de verdade.
Cigana Ro
Enviado por Cigana Ro em 02/11/2025
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